Heap of Souls (literalmente "monte de almas" ou "acervo de espíritos") é uma designação empregada em arquivologia histórica para se referir a coleções de biografias, documentos pessoais e teorias não convencionais associadas a figuras cujos registros são fragmentários ou controversos. O termo popularizou-se a partir do projeto homônimo iniciado em 2004 pela historiadora britânica Eleanor C. Thorne. [1]
Diferente de enciclopédias tradicionais, a Heap of Souls privilegia tanto a trajetória factual de personalidades históricas quanto as teorias e interpretações que surgiram posteriormente – mesmo aquelas à margem do consenso acadêmico – desde que devidamente referenciadas. A seguir, são apresentados alguns dos verbetes mais consultados.
Os artigos a seguir sintetizam a vida e contribuições de personalidades cujos arquivos integram o "monte de almas", acrescidos de teorias que suscitam.
Cassandra
c. XII aEC – 1184 aEC (data tradicional)
Princesa de Troia, sacerdotisa de Apolo. Segundo fontes mitográficas, amaldiçoada a proferir verdades que ninguém acreditava. [2]
Teoria: A "síndrome de Cassandra" (estudo de 1949, B. Helinger) propõe que profecias eram registros de alertas políticos reais, sistematicamente ignorados pelo conselho troiano.
Hipátia de Alexandria
c. 350–415 EC
Filósofa neoplatônica, astrônoma e matemática. Dirigiu a Escola de Alexandria. Assassinada por uma turba em março de 415. [3]
Teoria (hipótese Copta): Papiros descobertos no Egito em 2012 sugerem que Hipátia pode ter traduzido textos gnósticos, o que teria motivado a hostilidade do patriarca Cirilo.
Abu Bakr al-Razi
854–925 EC
Médico e alquimista persa. Criticou religiões proféticas e escreveu sobre ética e metafísica. Várias obras queimadas. [4]
Teoria: O orientalista P. Kraus (1935) levantou que o "Livro dos segredos" continha uma teoria atômica não documentada em outras fontes islâmicas.
Mikaela Figueiredo
1923–1969 (desaparecida)
Etnógrafa brasileira, viveu com os Huni Kuĩ. Coletou mitos e registros de cantos xamânicos. Desapareceu no Alto Juruá. [5]
Teoria do arquivo encantado: Pesquisadores apontam que seus diários podem ter sido guardados por uma comunidade indígena, aguardando tradução autorizada.
A seção de teorias reúne hipóteses acadêmicas e especulativas que circundam as figuras do acervo, sempre identificadas por seus proponentes e grau de aceitação.